domingo, 20 de novembro de 2011

Carta de desamor

E se um dia te dissesse que sonho contigo apesar de tantos anos?
E se um dia te dissesse que a tua falta provoca em mim um oceano de nostalgia?
Algo mudaria? conseguiria despertar em ti algo que pensavas à muito enterrado?
A resposta já a sei...continuas a perturbar o meu sono, insistes em entrar nos meus sonhos sem perdir permissão...
Se ao menos fosses a pessoa que descobri no passado ou num tempo congelado tu fosses tu e eu continuasse a ser eu...o tempo tudo cura e tudo muda. Já não és quem eu desejo..não és mais do que o meu idealismo de perfeição que ja não encaixa na minha existência..a marca não desapareceu por tudo o que fizeste e pelo que não foi feito..
Escolhi que fosses saudade amarga e doce.
Levo comigo todos esses ensinamentos e por isso agradeço.
Será que a minha marca em ti foi tao profunda como a tua?



quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Quem sou eu?

"Quem sou eu?
Ora ai está uma pergunta que já nos ocorreu pelo menos uma vez na vida, encontrei esta resposta..
Bastante criativa e na qual me identifico em muitos pontos..vale partilhar.

Uma pergunta difícil que merece, no mínimo, uma resposta complicada.
Quem sou eu? Eu sou único.

Não consigo descrever-me lá muito bem, até porque não sou do tipo de pessoas que acha que se conhece porque diz meia dúzia de coisas bonitas a respeito de si mesma, e lhe soa muito bem.


Só posso dizer que eu sou surdo e não me queixo. Até me sinto bem. Se há pessoas ouvintes que não conseguem estar ao meu lado, problema é deles!


Detesto promessas, prefiro que não me iludam para nunca me desiludirem. Sou capaz de fazer tudo por algumas pessoas, já outras, passam-me completamente ao lado.

Gosto de abraços apertados de saídas, de sentir os olhos a brilhar e de me rir até que me doa a barriga.

Já não sou de me agarrar demasiado às pessoas.


Tornei-me numa pessoa mais fria, menos sentimentalista, talvez. Perdi a paciência. E tenho a mania de explodir com a mais pequena coisa.Há dias que nenhum lugar me serve, e ninguém me consola, há outros em que nada me rouba o sorriso. Sou um bocado do avesso. Já pensei em mudar, mas gosto pouco de mudanças.


Eu sou a eterno apaixonado, um jovem sonhador, um lutador feroz no que toca aos objectivos da vida.

Sou uma pessoa optimista, cheia de confiança.
Tenho sonhos a realizar e tento aproveitar cada dia para o fazer.

Tenho mau feitio no geral, consigo ser bastante orgulhoso e arrogante, tenho um coração instável e gosto realmente de poucas pessoas, o resto, tolero.


Eu sou um homem que gosta das coisas simples na vida.

Eu quero na vida é ter uma mulher que seja 20% mais inteligente que eu, para aventuras, como por exemplo uma viagem a dois pelo mundo, ir às praias exóticas que o mundo tem para mostrar.

Sou um ser simples, ignoro coisas como o egoísmo, falsidade, especuladores à minha volta, com o objectivo de provocar o caos na minha vida.


Uso a minha rotina para ocupar o meu tempo vago ou manter ocupado para não me sentir sozinho.

Ninguém gosta de ficar sozinho."
Antonio Azrael Rosa

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Having a Coke with you

Having a Coke with You
is even more fun than going to San Sebastian, Irún, Hendaye, Biarritz, Bayonne
or being sick to my stomach on the Travesera de Gracia in Barcelona
partly because in your orange shirt you look like a better happier St. Sebastian
partly because of my love for you, partly because of your love for yoghurt
partly because of the fluorescent orange tulips around the birches
partly because of the secrecy our smiles take on before people and statuary
it is hard to believe when I’m with you that there can be anything as still
as solemn as unpleasantly definitive as statuary when right in front of it
in the warm New York 4 o’clock light we are drifting back and forth
between each other like a tree breathing through its spectacles
and the portrait show seems to have no faces in it at all, just paint
you suddenly wonder why in the world anyone ever did them
I look
at you and I would rather look at you than all the portraits in the world
except possibly for the Polish Rider occasionally and anyway it’s in the Frick
which thank heavens you haven’t gone to yet so we can go together the first time
and the fact that you move so beautifully more or less takes care of Futurism
just as at home I never think of the Nude Descending a Staircase or
at a rehearsal a single drawing of Leonardo or Michelangelo that used to wow me
and what good does all the research of the Impressionists do them
when they never got the right person to stand near the tree when the sun sank
or for that matter Marino Marini when he didn’t pick the rider as carefully
as the horse
it seems they were all cheated of some marvelous experience
which is not going to go wasted on me which is why I am telling you about it
Frank O’Hara

domingo, 15 de maio de 2011

new book

Every now and them 
take a good look at something
not made by hands:
a mountain, a star,
the curve of a stream.
There will  come to you
wisdom and patience,
and above all, the assurance
that you not alone in the world.

Sidney Lovett

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Cântico negro

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?


Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.


Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...



Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.


Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!


José Régio